Dying Is Ridiculous

Beautiful tribute written by Pedro Bial for Domingos Montagner

Dying is ridiculous.
You’ve arranged to have dinner with your girlfriend, you are undergoing full dental treatment, you have plans for next week, you need to notarize a document at the registry’s office, gas the car up, but in the middle of the afternoon, you die. What do you mean?
What about the e-mails that you have not read, the reading of the book that’s halfway to be finished, the phone call you promised to give to a customer in the evening?
I do not know where they got this idea:
DYING!!!
What for? You spent more than 10 years of your life in a college studying chemical formulas that were good for nothing, but stayed put, took the tests and carried on. You took a lot of physical education classes, almost lost your breath, but you never gave up. You spent whole nights awake to study for college entrance exams, not even sure about what you would like to do with your life, full of uncertainties about the chosen profession, but it was time to make a decision, and so you did, and once again you went on…
All of a sudden, it all ends with a head-on collision on the freeway, a clogged artery, a shot fired by a thug who liked your shoes. (Or drowning)
Come on!
Dying is a joke.
It forces you to leave the the party at its climax without saying goodbye to anyone, without having danced with the most beautiful girl, without having had time to listen to your favorite song again.
You left your shirts hanging in the closet, your damp towel on the line, as well as some bills.
Somebody else will have to pack your junk, rummage through your drawers, erase the tracks you left throughout your lifetime.
And why you? You, the one who always said, “I take care of my own things.”
What a morbid prank! You leave without having breakfast, and perhaps won’t even have lunch; you walk down a street, and perhaps won’t get to the next corner; you start to speak, and perhaps won’t finish what you’re willing to say.
You do not have regular health check-ups, you smoke two packs of cigarettes a day, you drink , you like fat ribs and thin women and you die on a Saturday morning.
Is that to be taken seriously? When you’re over a hundred years old, come on, eternal sleep can be welcome. There is no longer much to do, the body does not follow the mind anymore, and the mind does not respond either, not to mention that there is almost nothing stored in drawers.
Ok, time to rest in peace.
But before you live it all? Dying early is a transgression, it undoes the natural order of things. Dying is an exaggeration.
And, as you know, exaggeration is the stuff of jokes. But this is not funny.
So live all there is to live.
DO NOT become attached to small and useless things in life… Forgive! Always!!!

Strew along the path of your life love, the more tears are shed when you leave, the more certain the world will be that the time you spent here was worth it!

Belo texto-homenagem de Pedro Bial para Domingos Montagner

Morrer é ridículo.
Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da tarde morre. Como assim?
E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente?
Não sei de onde tiraram esta idéia:
MORRER!!!
A troco? Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente…
De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinqüente que gostou do seu tênis. (Ou afogado)
Qual é?
Morrer é um chiste.
Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida.
Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas.
Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.
Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu.
Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer.
Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manhã.
Isso é para ser levado a sério? Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não acompanha a mente, e a mente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas.
Ok, hora de descansar em paz.
Mas antes de viver tudo? Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero.
E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça.
Por isso viva tudo que há para viver.
Não se apegue as coisas pequenas e inúteis da Vida… Perdoe… Sempre!!!”
Deixe espalhado pelo caminho da sua vida amor, quanto mais lágrimas rolarem quando você se for, mais certeza o mundo terá que o tempo que você passou aqui valeu a pena!”

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